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António Barros Cardoso
El libro ha sido editado por:
GEHVID-Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Porto.
Depósito legal: 196810/03
ISBN: 972-98969-0-9
O texto que agora é dado à estampa foi apresentado
como dissertação de doutoramento em História à Faculdade de Letras da Universidade do
Porto e a sua publicação faz-se no quadro do Grupo de Estudos de História da
Viticultura Duriense e do Vinho do Porto (GEHVID), agrupamento de investigação a que o
Autor pertence e no qual desempenha a função de Coordenador-Adjunto. Editando esta obra,
o GEHVID cumpre um dos principais objectivos do seu Projecto que era e é a promoção de
estudos avançados sobre a região vinhateira do Douro e o vinho do Porto e a sua
divulgação. É sabido que o órgão por excelência de comunicação do grupo com a
comunidade científica é a revista bianual "Douro. Estudos e Documentos" mas a
publicação de dissertações de mestrado e outros ensaios sobre as temáticas do vinho e
da vinha tem merecido a melhor atenção dos seus responsáveis como o comprova a série
dos "Cadernos" que já vai no número dez. Sendo a primeira vez que o GEHVID
publica uma tese de doutoramento, o facto deve ser realçado como um ponto alto das
realizações do Projecto.
Este estudo põe em relevo mais uma vez a complementaridade insofismável entre a cidade
do Porto e a região do Alto Douro onde se produz o vinho generoso. Se é verdade que o
vinho não é o único produto que garantiu e manteve a cumplicidade das duas partes, é
inegável que é o mais persistente e o mais valioso. E foi por terem descoberto as
potencialidades comerciais do vinho duriense que muitos estrangeiros se fixaram no Porto.
Mas o livro de Antonio M. Barros Cardoso vai muito pare além dessas informações
importantes mas mais ou menos conhecidas. O estudo ora apresentado faz uma verdadeira
radiografia de pormenor sobre todas as firmas envolvidas no comércio dos vinhos,
portuguesas e estrangeiras. E entre os negociantes estrangeiros, ocuparam lugar cimeiro os
britânicos. Mas não se podem subestimar os hamburgueses, os flamengos, os franceses e os
italianos. Comércio de vinhos mas não só. Todos os productos que interessam os
operadores comerciais do Porto são aprofundados até à minúcia. E as pessoas
envolvidas, as redes familiares, as sociedades comerciais, os caminhos, os transportadores
e os meios do comércio, as circunstâncias económicas do negócio e as políticas
internacionais, desde o Douro vinhateiro até ao Porto, desde o produtor até ao
consumidor algures na Inglaterra, na Irlanda e em outros países da Europa e no Brasil. De
Baco a Hermes.
Se o vinho ocupa lugar de protagonista neste livro, não esgota o seu conteúdo. E o
amante de história da cidade do Porto encontrará bons motivos para ler e sair
enriquecido. É que mais uma vez e de maneira insofismável se prova que o vinho do Douro
e o urbanismo portuense, pela vida da fiscalidade, se mostram inseparáveis. Muitas obras
públicas, nomeadamente as fontes e chafarizes que traziam a água até às ruas e às
praças, tiveram no vinho o principal financiador.
Fica coberta toda a primeira metade do século XVIII. E deixam-se abertos os caminhos e as
sugestões metodológicas para estudos que visem prosseguir a descoberta das
circunstâncias e dos agentes da produção, do comércio e do transporte na segunda
metade da centúria, com indicação das possíveis continuidades e roturas no processo.
Se o século XVIII foi decisivo na fixação da imagem de marca e de prestígio do vinho
produzido no Douro e exportado pelo Porto, o anterior e os posteriores não o são menos.
E sobre cada um deles muito há ainda para investigar não só no domínio da história
mas também no da ciência de feitura do vinho e dos caminhos que levaram e levam à
excelência do produto.
Na dupla qualidade de Coordenador de uma vasta equipa, que é o GEHVID, e de coorientador
da dissertação congratulo-me com os resultados do trabalho e com a sua publicação, na
expectativa de que se trata tão só de um ponto de partida.
Francisco Ribeiro da Silva
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